Sinais de alerta para plantadores brasileiros

Ver uma nova igreja nascer é algo que incendeia o coração de qualquer cristão que está seriamente comprometido com o evangelho e por conta disso vive e respira de maneira missional. Quando esse cristão é um líder, evangelista, seminarista ou pastor, esse sentimento é ainda mais latente, pois nos sentimos dando sequência aos relatos marcantes descritos pelo evangelista Lucas em seu livro dos Atos dos Apóstolos.

É verdade que às vezes, o sentimento pra se envolver em um projeto de plantação de uma nova igreja nem é tão nobre assim. É comum observar pastores e líderes magoados com suas igrejas e denominações que vêm a possibilidade de começar uma nova igreja à sua própria imagem e semelhança como a solução para todas as angústias, desencantos, confrontos e derrotas que já vivenciaram no ministério.

Assim, alguns se lançam nesse grande desafio despreparados, sem o treinamento pertinente ou o suporte adequado e ao final, descobrem que nem tão pouco se sentiam verdadeiramente vocacionados ou chamados para tal intento. Dessa maneira o resultado daquele bonito sonho não é uma igreja saudável e multiplicadora, mas sim pessoas amarguradas, recursos mal administrados e líderes quebrados nas mais diversas esferas de sua vida, pessoal, ministerial e espiritual.

Um projeto de plantação de uma nova igreja saudável precisa ter em primeiro lugar o cara certo. O plantador com perfil para isso, que tem dons, competências, personalidade e comportamento que serão fundamentais durante o processo. Mas isso não significa que esse cara é perfeito. Mesmo que as habilidades necessárias estejam presentes, existem alguns cuidados que aquele que se aventura na concretização desse sonho precisa tomar, muitas vezes por conta de atitudes que são fruto de nossa própria cultura tupiniquim.

Disciplina Pessoal

Uma grande tendência que nós brasileiros temos, e isso inclui aqueles que se envolvem em projetos de plantação, é a falta de disciplina pessoal. Via de regra fazemos aquilo que gostamos ou estamos com vontade de fazer e não necessariamente aquilo que precisa ser feito. Quando estamos em um novo campo, onde não existem demandas pré-estabelecidas e muitas vezes nenhuma supervisão, corremos o risco de sermos os maiores sabotadores de nós mesmos. Dessa maneira é fundamental delimitarmos uma rotina e segui-la, mesmo que o escritório seja em casa. Elencando semanalmente o que precisa ser feito e voltando constantemente àquela lista para verificar o que foi concretizado ou não. Ter um mentor (um pastor ou plantador mais experiente) que constantemente está ajudando nisso é também uma boa possibilidade. Mas eu falo de um mentor que de fato irá confrontar quando perceber falta de foco e não bater nas costas, constrangido em questionar tais atitudes, e aí entra uma outra característica que pode nos minar em um projeto de plantação.

Saber Confrontar

Àqueles que se envolvem com plantação de igreja certamente viverão situações em que precisarão confrontar pessoas, pois o objetivo de uma nova igreja é formar discípulos de Cristo e não aumentar nossa rede de amizades. Mas muitas vezes ficamos constrangidos de dizer o que precisa ser dito com o medo de perdermos o amigo ou admiração das pessoas, e então deixamos essa situação passar. O grande perigo desse tipo de atitude é que nunca seremos líderes verdadeiramente respeitados e nem teremos na nova igreja cristãos conscientes do que Deus quer fazer na vida deles. Por outro lado precisamos tomar um grande cuidado para não irmos para o outro extremo. Pessoas que têm dificuldade de confrontar, quando se deparam com uma situação tensa onde o confronto não pode ser evitado tendem a ser duras demais, ferindo e magoando pessoas e não levando-as a refletir sobre suas atitudes.

Perseverança

Outro desafio a ser superado a cada dia em um projeto de plantação é a vontade de desistir frente às dificuldades e falta de resultados. As emoções vivenciadas em um processo de plantação são muito intensas, tanto positiva quanto negativamente. Em uma semana podemos ter o auditório lotado e pessoas demonstrando um compromisso fantástico com o projeto, mas na semana seguinte, por motivos diversos, podemos ter o mesmo auditório vazio e não encontrarmos nenhuma motivação nas pessoas que estamos liderando. A tendência nesse cenário é a de desanimar, ter vontade de jogar tudo pro alto e desistir. Nesse momento precisamos trazer às nossas mentes e corações o que realmente estamos fazendo ali, por Quem fomos chamados e para que fomos chamados. Notoriamente a saúde emocional de um plantador precisa estar consistentemente em alta quando ele se lançar ao projeto, pois se pendências de ordem pessoal, emocional, ministerial ou espiritual sobressaírem, dificilmente ele sairá ileso do processo e as conseqüências, como já disse anteriormente serão desastrosas.

Observar essas considerações, mesmo sabendo que é necessário, é muito difícil, mas com certeza trará alegrias e resultados visíveis e invisíveis para aqueles que enfrentam essa deliciosa, apaixonante e ao mesmo tempo aterrorizante missão de plantar uma nova igreja.

Rodrigo Leitão

Plantador da Comunidade Presbiteriana de Jaguariúna

Disponível em: Centro de Treinamento de Plantadores de Igrejas

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Igreja, Planejamento Estratégico e Crescimento de Igreja, Plantação de Igrejas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s