Bíblia e Comunicação – Mensagem

Bíblia e Comunicação
Erní Walter Seibert
IV Fórum de Ciências Bíblicas – Barueri, 5 e 6 de junho de 2008
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3.3 Mensagem

Agora vamos analizar a mensagem. Ela é o ponto central da comunicação. Ela é constituída pelo conteúdo das informações transmitidas. No processo de comunicação, a mensagem é colocada em alguma forma de linguagem. Mas a linguagem não é a mensagem. A linguagem é a portadora da mensagem. A linguagem só expressa aquilo que ela tem condições de expressar.

A fé cristã, tradicionalmente, diz que Deus, para se comunicar com o ser humano, se vale de antropomorfismos, visto ser impossível ao ser humano compreender a Deus. A paz de Deus, por exemplo, vai além do humano entendimento. O conceito “eternidade” também é expresso em termos humanos de tempo, embora o tempo não contenha a eternidade. Da mesma forma acontece com conceitos como onisciência , onipotência e outros.

Na comunicação queremos transmitir uma mensagem, mas o que realmente transmitimos são sinais ou signos audíveis, visuais, táteis. Quando escrevemos, transmitimos tinta organizada sobre o papel, mas o que queremos transmitir é a mensagem. Quando falamos, transmitimos sinais audíveis, mas o que queremos é transmitir uma mensagem.

A ligação entre a mensagem e a linguagem é objeto de estudo da linguística. Ferdinand de Saussure, com seu Curso de Linguística Geral, foi quem deu início aos estudos de linguística. Estes estudos evoluiram muito com nomes como Jakobson, Peirce, Chomsky, Umberti Eco, entre outros.


No campo da filosofia estes estudos também evoluíram. Ludwig Wittgenstein foi um filósofo do século passado que queria encontrar uma linguagem objetiva. Teve dois momentos em seu pensamento. No primeiro escreveu uma obra intitulada Tratado Lógico-Filosófico, onde analisa a linguagem humana, Queria encontrar uma linguagem objetiva, que pudesse descrever a realidade de forma perfeita. Queria analisar a natureza das sentenças.

Sua conclusão foi a seguinte: o que o homem não pode falar, sobre isto ele deve calar. Assim, sobre religião, Deus, não podia se falar. Falar sobre Deus não era nem certo nem errado. Era uma espécie de poesia. O melhor seria calar sobre este assunto. Wittgenstein pretendia alcançar uma linguagem positiva, científica. Na fase posterior do seu pensamento, Wittgenstein admite ser possível analisar questões filosóficas e metafísicas, apesar da fragilidade da linguagem. A função da filosofia neste caso, seria permanentemente lutar “contra o enfeitiçamento da linguagem”.

Dentro do cristianismo, no século passado, a ligação entre pensamento e linguagem também foi estudada. Teólogos renomados como Karl Barth, Rudolf Bultmann e outros dedicaram tempo ao assunto. A ligação entre pensamento e linguagem é fundamental para a comunidade cristã. Como interpretar um texto bíblico (hermenêutica e exegese) e como organizar a doutrina cristã a partir de um texto (dogmática, teologia sitemática) são dois aspectos dessa mesma questão.


Karl Barth, grande teólogo suíço do século XX

Todas estas questões estão ligadas ao tema mensagem.

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