Bíblia e Comunicação – Introdução – Duas Histórias Paradigmáticas

Bíblia e Comunicação
Erní Walter Seibert
IV Fórum de Ciências Bíblicas – Barueri, 5 e 6 de junho de 2008
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Introdução

Quando falamos sobre o tema Bíblia, abre-se diante de nós um mundo imenso para trilhar. Quando falamos sobre o tema comunicação, abre-se outro mundo. Quando ligamos Bíblia e comunicação, estão diante de nós dois mundos, os quais temos de delimitar muito para poder falar num período de mais ou menos uma hora.

Na questão de comunicação, vamos abordar o processo de comunicação. Como se dá e alguns de seus principais aspectos. Na questão da Bíblia, veremos que ela é um livro que está aí essencialmente para se comunicar e como este processo se aplica na prática, focando de forma particular a tradução bíblica.

1. Duas histórias paradigmáticas

Na Bíblia estão duas histórias que podem ser paradigmas do processo de comunicação. Uma delas é a Torre de Babel, registrada em Gênesis 11.1-9. Esta história nos conta que, naquele tempo, havia em toda a terra apenas uma linguagem e uma só maneira de falar. Ou seja, todos se entendiam perfeitamente. O local onde a história de desenrola é Sinar. É uma planície entre os rios Tigre e Eufrates. O versículo 9 do texto diz que o local era Babilônia.

Os habitantes daquele lugar foram atingidos pela soberba. Quiseram construir uma torre cujo topo atingisse os céus.

As cidades da Mesopotâmia tinham um templo com uma torre em forma de pirâmide, com degraus, chamada zigurate. A parte mais alta dessas torres era considerada como o ponto de união entre o céu e a terra. O zigurate de Babilônia, que media 90 metros de largura e mais de 90 metros de altura, tinha sete níveis superpostos. Nesse relato, a torre não aparece como um templo ou símbolo religioso; é, antes, expressão da soberba humana, que se propõe construir uma civilização para sua própria glória, sem consideração a Deus (Is 14.13-14; conforme Gn 3.6; Ez 28.2)

Este plano desagradou a Deus. Para que os planos daquele povo não fossem adiante, ele promoveu uma confusão no entendimento da linguagem. Com isso, não se entendendo mais as pessoas, eles se espalharam pela face da terra.

O ponto chave de Gênesis 11 não aponta necessariamente para o fato de todas as pessoas falarem uma só língua como sendo uma coisa má. O problema era a soberba. No capítulo 10 de Gênesis, falar línguas diferentes não era propriamente um castigo. Em Gênesis 11 a confusão de línguas foi o remédio divino contra a soberba.

Diferentes línguas podem ser uma benção, uma riqueza. No entanto, um projeto de soberba em torno de uma só língua, sempre é problema. Vamos abrir um rápido parêntese sobre isso. Em nossos dias fala-se da busca de unidade na língua portuguesa. Esse mesmo movimento já se verificou em torno do francês, do espanhol, do inglês, entre outras línguas. Muitas vezes estes projetos estão interessados em dominação, força ou prevalência de um grupo sobre outros. Muitas vezes estes projetos estão cercados de soberba. É importante prestar atenção na motivação.

De qualquer forma, o episódio da Torre de Babel mostra o fim da comunicação fácil e a disperção dos povos sobre a face da terra.

O outro episódio que podemos apresentar como sendo paradigmático na questão da comunicação é o Pentecostes – Atos 2. Neste episodio, ocorrido 50 dias depois da ressurreição de Jesus, os seguidores de Jesus estavam reunidos num mesmo lugar em Jerusalém. Aí começaram a acontecer coisas extraordinárias, fora do comum. Um barulho muito forte encheu a casa onde eles estavam, todos viram coisas parecidas com línguas de fogo que tocavam as pessoas. As pessoas ficaram cheias do Espírito Santo, e as pessoas começaram a falar em outras línguas, de acordo com o poder que o Espírito dava a cada um.

O fenômeno do falar em línguas fez com que as pessoas, os receptores da mensagem, que eram de várias partes do mundo e falavam diferentes línguas, pudessem entender a mensagem dada, cada um na sua própria língua. Elas estavam admiradas porque cada um ouvia na sua própria língua. O fenômeno não foi entendido. No entanto, em comunicação, voltava a aparecer uma comunicação perfeita: o que era dito, era entendido.

Babel e Pentecostes são paradigmáticos. No primeiro episódio, as línguas são confundidas. No segundo, todos entendem. Isso mostra com clareza que a intenção por detrás do texto bíblico é que todos entendam sua mensagem. A Bíblia existe para ser entendida, a Palavra de Deus existe para ser entendida. Deus quer que o seu povo entenda sua mensagem.

Pois aí estamos dentro do mundo da comunicação. Um emissor, uma mensagem e um receptor.

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