Visão 2025


O último grande surto de novas traduções da Bíblia.
O plano é arrojado demais, difícil demais, dispendioso demais, urgente demais, bonito demais e acertado demais. Puxa!

Que plano é esse? É o plano de pelo menos iniciar um programa para a tradução da Bíblia em todas as línguas que ainda não a possuem até o ano 2025.

Elaborado pelos mais competentes lingüistas, antropólogos e missiólogos comprometidos com a ordem de evangelizar o mundo todo, o plano foi lançado em novembro de 2001 pela organização Tradutores da Bíblia Wycliffe Internacional (WBTI,em inglês).

O projeto conta com a adesão de várias organizações missionárias ao redor do mundo que já trabalham com a tradução da Bíblia para línguas nativas, inclusive com a brasileiríssima ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária), com sede em Brasília. E espera obter o apoio de todas as denominações evangélicas de todos os continentes. Será um esforço realmente global.

Além de recursos financeiros, o projeto dependerá de uma grande quantidade de novos missionários lingüistas.

A Visão 2025, nome oficial do atual esforço em favor da tradução da Bíblia para 3.000 línguas desprovidas da Palavra de Deus, não é um fato isolado.

As duas mais notáveis e antigas traduções da Bíblia são as chamadas “Septuaginta” e “Vulgata”.

A primeira, para o grego, teria sido feita por 70 estudiosos judeus em Alexandria, a pedido do rei Ptolomeu, do Egito. Os cinco primeiros livros da Bíblia foram colocados em circulação em 250 a.C. Talvez tenha sido a mais demorada versão bíblica, pois o trabalho só terminou ao longo dos 200 anos seguintes.

A segunda, para o latim, foi feita por Jerônimo (347-420), a pedido do papa Dâmaso, e veio a lume em 404 d.C. Tornou-se a Bíblia oficial da Igreja Católica a partir do Concílio de Trento (1545-1563).

Entre a Bíblia Latina de Jerônimo (347-420) e a Bíblia Inglesa de João Wycliffe (1330-1384) passaram-se dez séculos. Foi nessa ocasião que surgiu um novo surto de traduções das Sagradas Escrituras.

Para Wycliffe, conhecido como a Estrela d’Alva da Reforma, a Palavra de Deus era o único padrão de fé e a única fonte de autoridade. O reformador alemão Martinho Lutero, que nasceu 100 anos depois de Wycliffe, também reconhecia a autoridade da Bíblia e a necessidade de colocá-la nas mãos do povo. Por esta razão, traduziu as Escrituras para o alemão e colocou em circulação perto de 100.000 cópias, um êxito editorial extraordinário para a época. Nesse período, outras línguas européias foram agraciadas com a tradução da Bíblia em vernáculo.

O surto seguinte se deu no início do século 19, junto com o despertamento da consciência missionária a partir de William Carey (1761-1834), que promoveu a tradução das Escrituras para 45 línguas e dialetos da Índia e de outras partes da Ásia, das quais 35 nada tinham até então. Foi nessa ocasião que nasceram as diversas sociedades bíblicas, a começar com a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira (1804) e a Sociedade Bíblica Americana (1816).
Essas sociedades produziram centenas de traduções das Escrituras e as colocaram em circulação.

Novo surto iniciou 113 anos depois da organização da primeira sociedade bíblica. O instrumento usado por Deus foi o colportor americano William Cameron Townsend (1896-1982), que foi tremendamente impactado na Guatemala, em 1917, com a idade de 21 anos. Ao oferecer uma Bíblia em espanhol a um indígena cakchiquel, este esbravejou:

“Se o seu Deus é tão inteligente, por que Ele não fala a minha língua?” Townsend então enxergou e abraçou entusiasticamente o desafio de traduzir as Escrituras para as línguas nativas.
Em 1929, 11 anos depois daquele choque, Towsend completou a tradução do Novo Testamento na língua cakchiquel. Mas não parou aí: em 1934 fundou aquilo que é hoje a maior organização missionária protestante de todo o mundo e talvez de todos os tempos: a Wycliffe Bible Translators (Tradutores da Bíblia Wycliffe) e seu irmão gêmeo, o Summer Institute of Linguistics (Instituto Lingüístico de Verão).

O nome Wycliffe é uma homenagem a João Wycliffe, já mencionado.
Hoje a Wycliffe tem mais de 5.300 missionários de 60 diferentes nacionalidades que estão envolvidos com a tradução daBíblia em mais de 70 países. Apesar da complexidade do trabalho, a cada 10 dias esses missionários lingüistas completam a tradução do Novo Testamento para uma língua. Em 1995, eles fizeram a dedicação do 400º Novo Testamento para uma das 800 línguas da Papua-Nova Guiné.

O último surto. Não faz muito tempo o missionário hispânico Moisés Lopes visitou uma Igreja da tribo indígena mazahuano norte do México. A Igreja estava cheia. Todos falavam a língua nativa e dispunham de um Novo Testamento nessa língua. Não obstante, o pregador falou em espanhol e o líder do louvor, um nativo, dirigiu cânticos em espanhol. Só os avisos, no final do culto, foram dados na língua do povo. Acabada a reunião, Moisés perguntou ao pastor por que apenas os avisos foram em mazahua. Obteve a seguinte resposta: é para a congregação entender.Ora, se os crentes entendiam mal o espanhol, por que a leitura da Bíblia, o sermão e os cânticos não foram na língua nativa?

A diferença entre ler a Palavra de Deus na própria língua e ler em outra língua mesmo pouco ou muito conhecida, é explicada pelo pastor Pedro Samua, da tribo tzutujil, da Guatemala:

Uma coisa é molhar o pé na água do lago; outra é pular dentro dele e nadar à vontade. Assim é a leitura da Bíblia na minha língua e em espanhol. Quando leio em espanhol, eu apenas molho meus pés na graça de Deus. Quando leio em tzutujil, eu mergulho na Palavra e sou refrescado por ela;

Um dos oradores da conferência Amsterdam 2000, Dela Adalevoh, declarou: Onde não existe Escritura na língua do povo, a Igreja não cresce.

O filósofo alemão Immanuel Kant, que morreu no ano em que foi organizada a Sociedade Bíblica Britânica (1804), escreveu que a existência da Bíblia como livro para o povo é o maior benefício que a raça humana jamais recebeu. Todo intento de diminuir a sua importância é crime contra a humanidade.

Por todas essas razões, o último grande surto de novas traduções das Escrituras Sagradas, conhecido pelo nome Visão 2025, é um plano arrojado demais, urgente demais, bonito demais e acertado demais. Merece todo o apoio de toda a Igreja sobre a face da terra!

Desafio mundial

Diz-se que os 6,1 bilhões de habitantes do planeta falam 7.148 línguas.

A Bíblia completa já foi traduzida para 366 línguas (cerca de 5,4% do total acima).

O Novo Testamento já foi traduzido para 1.012 línguas (cerca de 15%).

Pelo menos um livro da Bíblia já foi traduzido para outras 883 línguas (cerca de 13%).

A soma desses três números revela que 2.261 línguas têm pelo menos uma porção das Escrituras traduzida (cerca de 33,6%).

Estima-se que há mais de 3.000 línguas com óbvia necessidade de tradução bíblica (44% das 7.148 línguas faladas hoje).

A população que fala uma língua sem nenhum livro da Bíblia traduzido é de aproximadamente 250 milhões de pessoas (pouco mais de 4% dos 6,3 bilhões de habitantes).

A maior parte desses 3.000 grupos étnicos desprovidos da Palavra de Deus está na Ásia, especialmente na Índia, China, Nepal e Bangladesh. São 1.200 línguas.

Depois vem a África Ocidental, a metade nos países que foram
colonizados pela França e a outra metade na Nigéria. São pelo menos 1.000 línguas.

Em terceiro lugar, vêm as ilhas do Pacífico, especialmente em Papua-Nova Guiné e na Indonésia. São 600 línguas.

Por último vem o Oriente Médio, cuja religião predominante é o islamismo. São 150 línguas.

Papua-Nova Guiné é um caso muito especial. Embora a língua oficial desse país da Oceania seja o inglês (por causa da colonização britânica), ali se falam mais de 800 línguas. Trata-se de uma nação pequena em área (menor que a Bahia) e em população (1 milhão a menos que a população da cidade do Rio de Janeiro). Não obstante a tremenda confusão lingüística, Papua-Nova Guiné, bem ao norte da Austrália, é um dos países de maior porcentagem de cristãos: 33% de
católicos e 65% de protestantes (98% ao todo).

No presente momento, os tradutores da Bíblia estão trabalhando com 1.500 traduções ao redor do globo. Se o ritmo presente for mantido, a tradução da Bíblia para as outras 3.000 línguas estará em processo somente no ano 2150! A Visão 2025 tem por objetivo reduzir esse tempo em pelo menos 125 anos.

Assim, até o ano 2025, todas os povos que ainda não têm a Bíblia em sua língua terão pelo menos algumas traduções iniciadas na língua que lhes fala ao coração.

Wycliffe e SIL

http://amtb.org.br – AMTB Adaptado por J.A. Mielnik

¬^^

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